
[SINOPSE (Escolhida por mim)]
Contei noutro lugar como e porquê me chamo Saramago. Que esse Saramago não era um apelido do meu lado paterno, mas sim a alcunha por que a família era conhecida na aldeia. Que indo o meu pai a declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bebâdo (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças a uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudómino para, futuro havendo, assinar os meus livros. Sorte, grande sorte minha, foi não ter nascido em qualquer das famílias da Azinhaga que, naquele tempo e por muitos anos mais, tiveram de arrastar as obscenas alcunhas de Pichatada, Curroto e Caralhana.
[RESUMO]
Este livro tem uma temática muito simples, que são as memórias do autor, (creditado com o prémio Nobel da literatura - feito único em Portugal até há presente data), mas não umas memórias de toda a sua vida, focando o autor e sobretudo, a sua infância e adolescência.
Vindo de uma família muito pobre, com grandes dificuldades e constantemente a mudar de morada, Saramago vai adquirindo muito do seu saber e fixando pormenores e vivências que mais tarde irão influenciar a sua obra. Esta obra deixa no ar a vontade de ler umas grandes memórias, já que muito do que foi a vida do autor fica por contar. Não sei se existe mais algum título do autor em que exista um seguimento para este livro. Vou tentar averiguar.
Foi o meu primeiro livro de Saramago, (já tenho aqui para ler o memorial do convento - em que todas as pessoas que leram me falaram mal), gostei bastante da escrita do autor e de todas as peripécias e acontecimentos engraçados, às vezes hilariantes que se passaram na meninez do autor. A escrita é boa, a acentuação ainda melhor, a maneira de descrever fascina. Um grande autor sem dúvida. Vocabulário cuidado e aprumo ao longo de toda a obra.
Vou continuar a ler a obra do autor, e aproveitar algumas promoções que têm aparecido por aí. Depois de memorial do convento, ensaio sobre a cegueira e ensaio sobre a lucidez.
[EST]
- Título original: As pequenas memórias - Caminho 2006
- Autor: José Saramago
- Editora: Caminho 2006
- Páginas: 149
- Género: Romance
- 4/5
[SOBRE O AUTOR (WIKIPEDIA)]

- José de Sousa Saramago
- Nasceu em Novembro de 1922 em Azinhaag (Portugal) e espero que ainda viva por muitos e bons anos
- Prémio nobel da literatura em 1998, foi também galardoado com o prémio Camões em 1995
- Ateísta, iberista (defensor da aproximação Portugal - Espanha), membro do PCP
- Escritor com um estilo muito particular, utilizando frases e períodos muito longos e não usando a pontuação de uma maneira convencional
- Vasto número de obras, das quais se destacam: Memorial do convento, Jangada de pedra, Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a cegueira, Ensaio sobre a lucides, O ano da morte de Ricardo Reis, entre muitos outros.
2 comentários:
Em Portugal é normal falarem mal dos génios. Aliás, até muita gente fala mal do Saramago...sem o ler. Nunca li esse livro, mas já li 4 dele, mais o novo que estou a ler, e de todos os que li o melhor foi " Ensaio sobre a cegueira". Do Memorial a mim acontece-me o contrário, toda a gente fala-me bem dele. E continuo a dizer que a forma de escrever dele, a mim, só me leva a ler mais rápido.
Lanço-te um webdesafio galo!
http://caminhanteemaveiro.blogspot.com/2008/11/desafio-eis-as-regras-colocar-uma-foto.html
abraço
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