sexta-feira, 29 de maio de 2009

[LIVRO] - EU E AS MULHERES DA MINHA VIDA - TIAGO REBELO





Autor: Tiago Rebelo
Ano: 2003
Editora: Presença
Páginas: 208
Género: Romance
Nota: 6 / 10





[SINOPSE]

Quem é que, tendo uma vida banal, não sonha com outra mais extraordinária? Que circunstâncias na vida de uma pessoa fazem com que esta se altere de um momento para o outro, quando já nada o faria prever? É destas e doutras perplexidades metafísicas que trata esta obra, através da história de Zé, um homem sem ambição que entra na inevitável crise dos 40, cinco anos antes de os completar. Zé é um bancário desinteressado que trabalha pela necessidade de pagar as contas e adormece a praticar zapping no sofá. Porém, um dia, tudo se altera. Uma promoção inesperada no banco e o súbito interesse por ele de Cátia, uma autêntica Mónica Bellucci, vêm revolucionar a rotina entediante em que se transformara a sua vida. Depois disto nada será como antes. Mas conseguirá Zé ultrapassar esta fase vertiginosa e recuperar o equilíbrio sem consequências dramáticas para o seu casamento? Editado inicialmente em 2003 sob pseudónimo, Eu e as Mulheres da Minha Vida é uma obra à parte na prodigiosa carreira de Tiago Rebelo, autor aplaudido por milhares de leitores e publicado em diversos países.

[OPINIÃO]

Este livro foi-me oferecido num concurso literário num, dos muitos, blogs que acompanho.

Por ser pequeno chamou-me a atenção e passou à frente de muitos outros que por aqui tenho na prateleira.

O livro é sobre uma pessoa perfeitamente normal como tantas outras que por aí andam no nosso país. Zé é bancário, conformado com a sua posição social, sem grande ambição e acorrentado a um dia à dia rotineiro sem qualquer foco de emoção. É casado e tem um filho, mas a sua vida familiar também já perdeu o interesse e caiu na rotina. De repente, a sua vida sofre uma mudança e Zé liberta-se das correntes que anteriormente o prendiam, para levar uma vida completamente diferente, cheio de excessos e de casos extra conjugais.

Está dado o mote para um grande livro. Um grande livro, que se lê com avidez e que nos capta a atenção desde as primeiras páginas. Um livro com muitos diálogos, com muitas reflexões sobre a maneira de pensar do ser humano e sobre a maneira de reagir aos estímulos externos. Um livro que relata o que já aconteceu a muitos homens e na teia em que se embrenham quando perdem o rumo na sua relação. Um livro que tem o poder de nos fazer pensar.

Apesar de não ser grande literatura é daqueles livros que contam bem uma história e que merece ser lido.

domingo, 24 de maio de 2009

[LIVRO] - LISBOA TRIUNFANTE - DAVID SOARES




Autor: David Soares
Ano: 2008
Editora: SDE
Páginas: 279
Género: Romance Histórico / Fantasia
Nota: 7 / 10





[SINOPSE]

Lisboa Triunfante é um romance épico sobre a rivalidade entre duas figuras misteriosas, cuja contenda milenária se cruza com a história da capital portuguesa. Desde as origens pré-históricas de Lisboa até aos anos turbulentos que antecederam a implantação da República, passando pela elevação da cidade a capital do Reino por Afonso III e pela construção enigmática do Mosteiro dos Jerónimos, a galeria de personagens que dão vida a Lisboa Triunfante contém figuras como Frei Gil de Santarém, D. João V e Aquilino Ribeiro. Reunindo elementos de romance histórico e fantástico, este é o livro definitivo sobre uma Lisboa mágica, que possui tanto de reconhecível quanto de maravilhoso. Lisboa Triunfante é um triunfo da imaginação.

[OPINIÃO]

Este é o terceiro livro que li de David Soares, depois de "os ossos do arco íris" e de "a conspiração dos antepassados".

Para já, o autor é a minha grande referência a nível nacional, tanto ao nível do fantástico como da literatura em geral.

Este livro é mais uma obra prima da imaginação do autor, em que a cidade Lisboa e algumas personagens históricas de Portugal nos vão revelando uma luta incessante entre duas figuras: a raposa e o lagarto.

Mais mais que esta batalha, é nos revelado uma Lisboa, detalhada com minúcia, com descrições em várias épocas que nos transportam para essa mesma data e para esses mesmos locais onde se vai desenrolando a acção. Os personagens também estão muito bem caracterizados - fruto de uma pesquisa incessante, tal como na conspiração dos antepassados, e talvez, seja este o grande dom do autor. A facilidade com que os personagens entram na acção e nos transportam para o enredo, tornando a história bastante fluída. Neste livro e, com muita pena minha alguns dos personagens não tiveram um período de vida mais longo na história, o que deixa um travo amargo e que faria sem dúvida que tivesse gostado ainda mais.

O autor como já nos tem habituado, faz uso, de uma pesquisa detalhada, sobre tudo o que escreve o que torna mais real e intimidatória toda a obra. Uma das citações que aparecem na bibliografia do livro é esta: "é preciso ler meia biblioteca para escrever um livro". Frase interessante que atesta bem a maneira de escrever de David Soares.

Este livro apesar de muito bom, para mim não é tão bom como o seu antecessor e uma das razões é o facto de ter tantos personagens históricos e estes mesmos não serem tão trabalhados como Crowley e Pessoa foram na Conspiração dos antepassados.

Mesmo assim, um livro cativante e emocionante com história de Portugal, fantasia e mistério em altas doses.

Existe também um ebook disponibilizado pelo autor para acompanhar a leitura desta obra. Por acaso ainda não li mas espero brevemente poder ler.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

[BTT] - MARATONA DE PORTALEGRE


  • 328º lugar
  • 6h 11m 51s
  • 101 km
  • 2700 m de acumulado anunciado pela organização

Foi no fim de semana anterior que me desloquei para Portalegre, a Meca das maratonas em Portugal e lugar de comunhão de mais de três mil e duzentos participantes na maior maratona realizada em território luso.

Apesar de no ano transacto, não ter achado que esta maratona fosse assim tão especial e não entendi muito bem o que levava mais de três mil bttistas a esgotar em apenas dois dias todas as vagas existentes.

Este ano, depois de na sexta ter realizado quase cento e cinquenta quilómetros foi com alegria que cheguei a Portalegre e que constatei que estava muito menos gente e a cidade estava muito menos movimentada, sinal evidente de que o grosso dos participantes apenas chegaria no dia do evento e que a maioria seria dos arredores menos distantes de Portalegre. A crise também já chegou ao BTT.

De noite, foi montar a tenda, num campo de futebol já para o efeito e esperar calmamente pelo dia seguinte.

Sábado chegou e desde logo deu para ver que seria um dia muito quente e seco.

Perto das 8h15 lá me desloquei para a zona de partida onde já estavam alinhados mais de mil participantes, bem mais, talvez.

Às 9h00 deu-se o arranque do evento e eu lá parti, com calma e sem pressas para o objectivo de completar mais uma maratona, de preferência ileso e com um sorriso nos lábios.

A maratona correu bem até aos setenta kms em que seguia com uma média de quase dezanove kms, a partir de aí e já em plena subida rebentei e andei a pé cerca de uma hora já que o traseiro estava a arder e mal me conseguia sentar.

Depois foi penar até acabar, sempre em quebra, muito devido à falta de treino em monte.

Apesar de esta maratona não ser claramente o meu estilo e para a qual, sem dúvida, a melhor escolha é uma dupla suspensão espero para o ano voltar para ficar bem mais à frente na classificação e para adorar os trilhos como aconteceu este ano.

Aqui fica por pontos o que melhor se passou por lá e o pior, que foi muito pouco.

O melhor:

  • A gente de Portalegre - a dar colorido e a incentivar todos os participantes nesta grande maratona. É sem dúvida um grande evento para esta cidade.
  • Os trilhos - excelentes, o percurso para mim estava muito melhor que o ano passado, a que muito se deveu este ano ter havido mais chuva antes da maratona. Muitos single tracks, descidas com muita pedra e aquele última subida à serra de São Mamede, interminável, com doze kms e uma das subidas mais duras que já fiz.
  • A dureza do percurso - pedra, pedra e mais pedra fazem desta maratona uma das mais duras que por aí se fazem.
  • O almoço - estava bom, mas a sopa estava divina. Sopa de cação é mesmo muito boa.
  • As marcações - com a quantidade de gente nos trilhos é quase impossível andar perdido mas estas marcações estavam fabulásticas, do melhor que já vi por aí.
  • As lembranças - um jersey com muita qualidade, umas luvas porreiras Berg e uma t-shirt da Sport Zone à maneira.
O pior foi muito pouco:

  • O empeno - enorme, gigante, fruto da loucura de sábado ter andado tanto e de esta não ser uma maratona que me favoreça, muito graças a trilhos técnicos e com muita pedra. Na última hora mal me conseguia sentar no selim e fiz a subida ao Everest quase toda a pé.
  • Os abastecimentos - alguns adoraram, eu não achei grande coisa. Fruta, barras e água, em quase todos não é nada de especial. Acho que faltava algo mais pesado, tipo sandes ou bolos, que é o que o organismo pede num esforço como estes.
  • Os banhos - de água fria. O meu foi daqueles banhos muito mal tomados para fugir à água gelada.

[LIVRO] - LOLITA - VLADIMIR NABOKOV



Autor: Vladimi Nabokov
Ano: 1955
Editora: SICIDEA 2009
Tradutor: Fernanda Pinto Rodrigues
Páginas: 279
Género: Romance
Nota: 7 / 10





[SINOPSE]

Este é um dos romances mais célebres de todos os tempos. É também uma aventura intelectual que não deixa ninguém indiferente, um relato apaixonado de uma sensualidade alucinada, uma autópsia implacável do modo de vida americano. De um lado, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, uma garota de doze anos, perversamente ingénua. A química se faz e dá origem a uma obra-prima da literatura do nosso século. 'Lolita' é chocante, desafia tabus, escandaliza. O livro foi incorporado ao imaginário colectivo da modernidade, e até o nome da personagem tornou-se um substantivo corrente, provas do alcance e da genialidade do autor.



[OPINIÃO]

Li este livro, para grande sorte minha, na iniciativa do fórum http://estante-de-livros.pt.vu/, mais precisamente, numa leitura conjunta a realizar em quatro partes. Basicamente escolhe-se um livro e depois as pessoas vão lendo e vão analisando o que vão lendo, criticando, opinando, esclarecendo, debatendo ideias e pontos de vista que tornam a leitura mais enriquecedora e mais duradoura . Gostei muito desta nova experiência e espero voltar a repetir.

Primeiro de tudo, este foi um livro que fui lendo em segundo plano, ou seja, fui alternando, primeiramente com Brisingr e depois com o festim dos corvos de Martin. A isto, muito se deveu, o facto de por cada semana o objectivo e muito bem, da leitura conjunta serem aproximadamente as sessenta páginas.

Trata-se de um livro, que ficou marcado na literatura do século vinte. A temática principal é a adoração e posterior consumação, de uma amor e de uma obsessão, de um homem Humbert Humbert de meia idade por uma menina, Dolores Haze de doze anos. Mas a maneira como o autor expõe este amor e todas as peripécias decorrentes do mesmo, está muito bem conseguida e a narrativa, por vezes, faz-nos questionar e pensar, que Humbert Humbert é Nabokov, já que o realismo e a minúncia da maneira de pensar de Humbert estão, deveras, emlpolgantes e realistas, ao ponto de pensarmos que só alguém que passou por uma situação idêntica pode escrever tão bem e tão pormenorizadamente. Por isso mesmo, Nabokov, escreve no posfácio, algo para que as pessoas possam compreender e aceitar melhor este livro que mesmo hoje em dia é polémico, o que não seria e a quantidade de tinta que não fez correr na altura.

Este livro, por se tratar de uma grande obra, não é fácil de ler. É daqueles que por vezes até apetece parar mas depois daquele pequeno esforço para continuar é daqueles que vai perdurar por muito tempo. A escrita de Nabokov, também não é fácil, com muitas palavras sofisticadas, e em que predomina, muitas vezes a maneira de ser egocêntrica e superior que Nabokov sempre foi cultivando ao longo da sua vida.

Um grande livro, um ícone de uma geração, altamente recomendável para todas as pessoas que gostam de ler.